Eu sou louca por internet. E por poemas de Shakespeare e músicas dos Beatles. Sou louca por beijo na boca, chocolate quente e vento na cara. Por noites estreladas! Pelo pôr do sol. E quem não é? Algumas loucuras são quase universais. Outras, são próprias, só tuas, só minhas.
Por exemplo: sou louca por música eletrônica. E por empadinha de camarão. Pra mim, quanto mais gosto de areia, melhor – adoro frutos do mar. Também adoro pepino, que levava comigo pra escola - às vezes comia escondido na hora do lanche, evitando a risada dos colegas. E por chuchu, sim. Coisa que ninguém entende: como se pode ser louco por algo sem gosto.
Eu não sou louca por café, para a surpresa das pessoas:
- No mundo de hoje, como você sobrevive sem tomar café?
- Não, obrigada, eu fico com o chá.
E são as loucuras particulares que definem a personalidade de cada um. Justamente essa minha loucura de não gostar de café que desperta a atenção dos meus colegas de trabalho - que pensam em mim quando tem chá de erva-doce.
Não tem escapatória. O nosso jeito de ser – para nós e paro o mundo - é expressado através dos gostos pessoais, dos exageros, das excentricidades. Pense numa novela. Lembramos sempre dos personagens marcados por alguma preferência esquisita. Assim também os professores lembram da gente, e nós deles, e dos nossos amigos:
Aquela garota só veste preto, deve ser louca.
Seja ela punk, gótica ou emo, a paixão pelo preto define a personalidade da menina. Ou, pelo menos, ajuda a definir o nosso julgamento sobre ela. E o que vale, afinal? O gosto pessoal ou a opinião alheia? Os dois são parte de uma mesma sociedade que enxerga o que ela vê. Ou seja, o que a gente mostra.
Com a janela virtual da internet, nossas loucuras ficam ainda mais expostas. Tanto é que grandes empresas já incluíram na seleção de seus profissionais a busca pelo perfil do candidato no orkut. As comunidades das quais ele participa – do tipo “odeio trabalhar, mas adoro dormir” – podem contar na decisão sobre a vaga. E assim também gigantes como a Microsoft já estabeleceram manuais de conduta para os seus funcionários sobre o que/como/onde eles podem falar. Isso sim é loucura! E o resultado de um mundo que perdeu o limite nesse tempo digital e global.
Bem, não é preciso passar a esconder nossas loucurinhas. Mas, sim, estar consciente do poder que elas podem alcançar. Por qual das suas loucuras você quer ser – ou já é – reconhecido? Só nós mesmos para escolher e postar. A sua cara vai depender do que estiver no orkut, no blog ou no twitter. Simples assim criar uma personalidade. É só a sua atitude corresponder à velocidade de um post.