Não é superdifícil dormir na noite anterior ao primeiro dia de aula? Pra mim, sempre bate aquele duplo sentimento, enquanto tento pegar no sono: a nostalgia das férias que ficam para trás, e, ao mesmo tempo, a ansiedade do reencontro com as amigas. Admito que sempre tive dificuldade em dizer adeus.
Deixar o verão e junto as suas viagens, as novas paixões! E, principalmente, a liberdade, essa palavra tão linda quanto abstrata, que pode ser contada diferente por cada uma de nós.
- Liberdade é chegar da balada e ver o sol nascer.
- É usar pulseira e não relógio, para o tempo esquecer!
- É beijar durante um longo banho de mar…
- Fazer festa, pular e gritar sem se importar!
- Estar com as amigas, sem os pais para incomodar.
Ponto final nesta última frase. É por tudo isso que eu sinto uma espécie de dor quando penso que tantas coisas boas terminaram. Já sentiu também? É quase um aperto no peito, uma forte saudade dos dias de ócio e do açaí que energiza a preguiça toda...
Por outro lado, minha mãe sempre me relembra das amigas, dos novos projetos, do recomeço. Li numa revista o psicólogo Roberto Shinyashiki falando sobre a dificuldade que muitas pessoas tem em fechar ciclos. Argh, eu sou a própria. Embora a Francesca, minha amiga italiana, compartilhe a opinião de que cada porta que se fecha abre uma nova. Com novas oportunidades, novas aventuras…
Mas é justamente das aventuras das férias que surge a dor da despedida. O que mais sentimos falta é do diferente, do que foge à regra. Este janeiro, por exemplo, fui à floresta amazônica! E como não lamentar o tempo que passou, e que vivi em meio a macacos, araras azuis e nadei com os botos cor-de-rosa? O Brasil tem a maior floresta do mundo. E conhecê-la é uma lembrança que o coração não quer apagar. Visitei uma tribo indígena, conheci a vida às margens do rio Negro, que é um espelho, reflete cada árvore, cada folha. E, claro, livre em meio à selva, pulei e gritei sem me importar!
Sei que não vou sentir a floresta de novo, apesar de guardar seu cheiro, seus sons - ou suas vozes, como diriam os índios! Mas, ainda que a floresta esteja longe do meu dia a dia (assim como a praia, para o desolamento maior), é preciso buscar. Buscar um pouco do verde, da liberdade próxima a nós. Uma caminhada pelo parque em plena terça-feira? Um rafting no final de semana? É verdade que, mais inteligente do que chorar as férias derramadas, é criar aventuras dentro da nossa própria realidade.
Bem, definitivamente voltar à realidade não é comigo, mera sonhadora. Tanto é que fechei a coluna sem falar das aulas, só das férias. Foi mal